quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

A UEFA é sabedora!

Hoje foi um daqueles dias, em que não sabemos bem se foi bom ou apenas estranho. Não sei bem como correu. Até agora não há feridos a lamentar e isso é um ponto a favor, suponho.
Acordei tarde. Logo, não tive tempo para o meu pequeno-almoço normal de sumo de laranja (sim, eu dou-me ao trabalho de as espremer todo o santo dia, enquanto luto para sacudir o sono) e torradas. Isto é, geralmente, um indício de que o dia não se avizinha simpático. Então, vai de um activia de morango. Eh! Não me interessa o que a Fátima Lopes diz mas eu, mesmo fazendo aquele movimento circular com a mão sobre a barriga (não consigo evitar. Cada activia, cada gesto) não me sinto particularmente bem por ter o bifidus activus regularis. Enfim...
Pus-me a caminho até Paço de Arcos. Não estava trânsito, o normal, e ir pela marginal a ver a praia num dia de sol é suficiente para ficar alegre. Contudo, a luzinha da reserva piscou e fui o caminho todo a rezar para não ficar apeada - o que seria bem feito, suponho, porque sou uma unhas-de-fome e estou sempre à espera que o gasóleo pingue de outras carteiras.
O trabalho foi normal, sem muito para fazer. Aturei uns grunhidos do pessoal enquanto andava pelos corredores (que fazer? homens do mar não são propriamente o modelo de delicadez e por alguma estranha razão que me escapa, talvez porque não ando meses sem ver bicho do outro sexo, acham que uma pessoa devia ficar contente por ouvir grunhidos à sua passagem). Seja!
Estava já quase quase na minha hora e estava a arrumar o estaminé quando me aparece um aluno. Ah, espere aí um bocadinho que já o atendem. O miudo senta-se mesmo em frente a mim e eu finjo um ar de intenso esforço enquanto estou a jogar sudoku no computador. Até que, é o caos! O miudo diz algo como "ai, que rico dia dos namorados". Eu sorrio, só para disfarçar que não disse nada. E ele insiste, "veja lá, levei a minha namorada para o hospital". Aqui senti-me mal e acabei por falar, esboçando empatia, "ah, mas é grave? veja lá, qnão fique assim que tudo fica bem." Esperava que isto terminasse a conversa, tipo aquela pergunta do "então, tudo bem" e a outra pessoa responde "ah tudo, obrigada" e cada um vai à sua vida, porque ninguém se interessa realmente. Mas não. Ele continua, "sabe? a minha namorada tem uma doença que é ter o intestino delgado maior do que as pessoas normais. e isso dá-lhe prisão de ventre. também ao pai dela, 'tá a ver. mas ela já nem ia à casa de banho. só que não aguentava mais. pôs um clister e fez força, fez força. olhe, saiu-lhe por detrás. saiu-lhe o intestino."
*horror*
Fugi dali e fui à faculdade fazer as inscrições para o próximo semestre. Descobri que passei a dois exames que eram uma das minhas cruzes neste curso miserável. Isso foi bom. Mesmo, muito muito bom.
Cheguei a casa, pronta para dormir a tarde toda, e a minha mãe diz: ah, tens correio. Fofo! Love came by air mail express today :)
Daqui a pouco vou sair para jantar com amigas. Há muito que adiava um café com a "aí aeromoça, me vê um copo di água" e é hoje, vai-se concretizar à frente de pato lacado. Seremos quatro, acho, o que me faz pensar nos olhares da carneirada que hoje anda aí com flores e peluches no colo, tipo: oh, look at the double lesbo date! Medo. E sei que vou acabar a noite a contar a história do intestino da miuda - fez força, fez força! E a "aí aeromoça, me vê um copo di água" vai rir-se como uma louca. É que nem há dúvidas! Também não esperava outra coisa de uma pessoa que faz questão de me explicar todos os dias, durante as férias, os seus problemas intestinais antes de eu conseguir tomar o pequeno-almoço.
Portanto, happy valentine's day e deixem-se de pindériquices dessas.

Um comentário:

Carlos Barros disse...

este é um testamento digno de ir para o meu site desporto.rtp.pt

abraço